sábado, 10 de julho de 2010

Chico Xavier ou “Ai que vergonha”?

Você gostou da logomarca da Copa do Mundo 2014? Eu não gostei! E não só pelo fato de a logomarca ser esteticamente muito feia, mas também por todo o processo de branding, que não considero ter sido muito bem conduzido. Alias, está correndo na internet que a logo já recebeu o apelido de Chico Xavier, por trazer a lembrança da mão do médium no momento em que ele psicografava. Outras brincadeiras – que sim devem ser consideradas pelos organizadores do evento – é que a logo lembra alguém com a mão na cara dizendo: “Aí que vergonha” ou “Putz, ferrou” e também que é uma alusão a taça Julies Rimet, que 'meteram a mão' no Brasil. Só espero que esta não seja a impressão que nós deixaremos ao final da Copa, nem pelo futebol apresentado e nem pela organização.
A criação, é claro, não pertence a publicitários brasileiros, que por sinal são extremamente consagrados internacionalmente, mas sim do estúdio francês Richard A. Buchel, que já trabalha com a UEFA. Discussões de design a parte, é mais uma demonstração da mania nacional de preferir criações gringas. Para se ter uma ideia, a primeira versão da logo saiu com Brasil escrito com ‘z’. Não dá, né? A Copa é em casa!
Entre os responsáveis pela escolha: Ricardo Teixeira, Ivete Sangalo, o secretário geral da FIFA, Jerome Valcke, Gisele Bundenchen, Hans Donner e Paulo Coelho. Li no blog ‘Perolas para porcos’ a seguinte conclusão, que por sinal achei muito boa e vou reproduzir: “Incrível que Niemayer tenha sido convidado para aprovar uma logo com curvas tão malfeitas, incrível que Gisele tenha sido convidada para aprovar uma logo sem um pingo de charme, incrível que Hans Donner tenha sido convidado para aprovar uma logo sem degradê, incrível que Paulo Coelho tenha sido convidado para aprovar uma logo sem nenhum conceito por trás e incrível que Ivete Sangalo tenha sido convidada pra aprovar uma logo qualquer”.

E você, o que achou?

sábado, 3 de julho de 2010

Complexo de vira latas de novo, não!



O dramaturgo Nelson Rodrigues já dizia: por 'complexo de vira-lata' entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo’. A frase representa o sentimento nacional que foi criado em nosso país após a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa de 50, noite conhecida até hoje como ‘Maracanaço’. Sim, os brasileiros (como sempre otimistas com futebol) acharam que já estava tudo ganho que não precisava nem entrar em campo naquela final. O resultado todo mundo já sabe! Derrota naquela que foi a mais sofrida derrocada brasileira em Copas.
Mas, por que eu estou falando nisso agora? Porque este sentimento de complexo de vira latas nunca acabou. Ele vai e volta de acordo com o desempenho do Brasil na Copa. Se ganhamos somos os melhores do mundo (muitas vezes ainda contestados como em 1994), mas se perdemos somos os piores, os fracassados, um verdadeiro fiasco. Eu – assim como o saudoso Nelson Rodrigues – acredito na seleção e vou acreditar sempre. Eu tenho ainda mais razão que o próprio Nelson para isso, pois estamos em outra época. Eu, com 25 anos, já vi a seleção ser campeã do mundo duas vezes. Ele, na época dele – ao lado apenas do seu irmão Mário Filho - eram os únicos da imprensa esportiva da época a acreditar na seleção e lutar contra o que ele chamava de ‘ufanismo invertido’. Era uma época ainda mais difícil e o descrédito era absoluto, isso, é claro, até a Copa de 1958, ano do primeiro título mundial do Brasil.
Ontem nos perdemos mais uma Copa. Saímos nas quartas de final diante da Holanda, que sim tem um bom time. Fizemos uma boa Copa? Não como se esperava, mas foi uma participação honrosa. Eu fiquei triste, é claro, mas não podemos esquecer de tradicionais times como França, Itália e Inglaterra que caíram antes das quartas, o que prova que o campeonato é difícil e o Brasil não é obrigado a ganhar todas as vezes, como muita gente pensa. Não podemos nos esquecer que recentemente chegamos em três finais seguidas (94, 98 e 2002) e ganhamos duas. Que outra seleção fez isso?
Para finalizar, relembro que o Brasil é o único time pentacampeão do mundo, o único a participar de todas as Copas; temos o artilheiro dos mundiais e uma respeitosa e consagrada participação neste eventos. Somos e sempre seremos respeitados pelo futebol que praticamos e não devemos – a cada derrota – resgatar o fantasma do complexo de vira latas.

Bola pra frente, 2014 está aí!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O futebol europeu que não se renova




Ao ver tradicionais seleções como França e Itália deixarem a primeira fase do maior torneio esportivo do mundo logo na primeira fase, passo a questionar: o que está acontecendo com o tradicional futebol da velha bota? Nesta Copa de 2010, o campeão e o vice de 2006 deixaram a desejar; isso pra não dizer que eles decepcionaram de verdade.

A França fez uma primeira fase ridícula. Já a Itália chegou a respirar e acreditar na classificação, porém, seu ‘maduro’ time não mostrou a mesma garra de quatro anos. Outras equipes europeias também não demonstraram a força que se esperava, como é o caso da Espanha, que mais uma vez decepcionou, e da Alemanha – que mesmo tendo feito uma grande estréia – não prosseguiu com o bom futebol nos outros jogos.

Enquanto isso, o futebol sulamericano tem sobrado no campeonato. Todos os representantes – pelo menos até agora – fizeram bons jogos e demonstraram estarem prontos para disputar de forma bastante competitiva a segunda fase. O Uruguai mostra muita garra, o Chile um bom futebol, o Paraguai a seriedade de sempre, a Argentina encanta, e o Brasil mostra a alegria e experiência do único time pentacampeão do mundo.

Mas, será que o futebol sulamericano é melhor que o Europeu? Eu não acredito nisso, acho que são duas grandes escolas e cada uma tem o seu valor e o seu estilo. O que ocorre, do meu ponto de vista, é que nos últimos anos a Europa não tem revelado ninguém. E por que não revela? Porque não para de importar jogadores. A Espanha por exemplo, é a eterna futura nova campeã do mundo, ouço isso há muitos anos, mas não vejo surgir nenhum grande jogador espanhol. A Itália idem. A Inter – atual campeã da Champions – praticamente não tem italianos no time.

Agora você pergunta, o que as seleções européias estão fazendo pra mudar? Investindo em categorias de base? Claro que não. Estão nacionalizando jogadores. E os exemplos são muitos, o argentino Camoranesi na Itália, os brasileiros Liedson, Deco e Pepe em Portugal, Cacau na Alemanha, Marcos Senna na Espanha e assim vai!

Tudo bem que nós – sulamericanos – passamos quatro anos engolindo um futebol ‘mais ou menos’ nos campeonatos nacionais, pois não temos os melhores jogadores do mundo jogando em nossos países, mas o prognóstico que se faz é que passaremos a sobrar em Copas do Mundo. E olha que não vai adiantar colocar a culpa na zebra, a não ser que a Venezuela um dia chegue a ser campeã do Mundo. Mas aí, aí já seria demais!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Grande sacada da Budweiser!


Como falei de Copa do Mundo em meu último artigo e a minha percepção em relação a possibilidades de negócio e exposição de marca durante o evento esportivo, não posso deixar de comentar a grande sacada da Budweiser (a verdadeira patrocinadora oficial da Copa). A cervejeira reuniu em uma casa na Cidade do Cabo 32 torcedores, um de cada seleção participante do torneio. Os competidores ficarão confinados durante um mês, enquanto acontecem os jogos do Mundial. O 'reality show', chamado de Bud house será transmitido pela web, com entre seis e oito episódios por dia, além de ter um aplicativo que permitirá transmissão ao vivo de dentro da casa. Diferente do BBB, os participantes serão eliminados de acordo com a eliminação das equipes que eles representam no torneio! Mais informações (http://www.budhouse.com/)

Grande ideia da Budweiser, hein! Sairam da caixa nesta!




segunda-feira, 7 de junho de 2010

Copa do Mundo: grandes oportunidades em Comunicação e marketing!



A Copa do Mundo chegou e com ela diversas oportunidades de negócio em marketing e comunicação. Empresas como um todo, grandes ou pequenas, gastam rios de dinheiro em ações promocionais e de propaganda. Agora a pergunta, vale a pena fazer um trabalho de divulgação de sua empresa ou produto voltado ao tema Copa do Mundo? Na minha opinião, é claro que vale!

Em primeiro lugar, Copa do Mundo é o maior evento esportivo mundial, nenhum outro consegue mexer tanto com o cotidiano das pessoas. No Brasil então, nem se fale, nada se compara! Vira uma verdadeira febre nacional.

Mas, o que e como fazer? Depende da empresa, do ramo de atividade e também do quanto se quer ou se pode gastar. Já vi empresas gastarem muito com bobagens e outras fazerem coisas incríveis com poucos recursos. A Ambev, que tem 'bala' pra gastar, ousou e entrou forte colocando a Brahma como patrocinadora oficial da Copa. Eu, sinceramente, tenho lá as minhas dúvidas em relação ao investimento. O que adianta a Brahma ser divulgada mundialmente durante os jogos se o cara lá do sul da Eslovênia não vai achá-la no mercado mais próximo? Acho que é um gasto bobo! E olha que eu adoro os comerciais da Brahma, o apelo do 'Guerreiro' é sensacional!

Tenho em mente que a estratégia feita com a Skol, também da Ambev, foi mais interessante. A lata de cerveja com alto falante foi demais. Nesta eles saíram da caixa, literalmente!

A Vivo fez uma promoção bem interessante também. Os clientes interagem com as mídias sociais como twitter, Youtube e concorrem a viagens para assistirem a Copa do Mundo. E o melhor, o cara que liga pra dar a notícia ao ganhador é o Pelé! Bem legal também! Outras marcas também fizeram coisas bem interessantes, como o Mc Donald's que fez um lanche temático para os principais países da Copa, a Havaianas que personalizou as sandálias com as cores dos times que fazem parte do Mundial, e muito mais!

Enfim, se a sua empresa não tem tanto recurso como a Ambev, a Vivo, o Mc Donalds ou a Havaianas vale qualquer ideia. Vale uma camiseta personalizada do Brasil com a sua marca estampada, uma bola, uma rodada de chopp pra cada Gol, enfim. Vale criar, vale inventar. Só não vale ficar dentro da caixa!

E olha que em tempos de Copa do Mundo nem é tão difícil assim pensar fora da caixa!

domingo, 6 de junho de 2010

Contestar Dunga, por que?







Se alguém me perguntar se eu concordo com a escalação do Dunga e com os jogadores que ele convocou pra seleção eu vou dizer que não. Não acho que Grafite, Josué, Elano e alguns outros estão no nível de uma seleção brasileira. Mas, na minha opinião, não dá pra contestar o trabalho que ele tem feito a frente da equipe canarinho. Aliás, os números não mentem e o trabalho dele, até agora, só pode ser exaltado. Campeão da Copa América, da Copa das Confederações e equipe líder das eliminatórias com direito a vitória e classificãção antecipada sobre a Argentina em Rosário. Nada melhor!

Que ele é chato, mal educado, ranzinza e não gosta da imprensa, tudo isso é fato e nós já sabemos. Mas, há quatro anos os mesmos que hoje criticam queriam alguém com este perfil a frente da seleção, ou não? Lembro-me muito bem. Logo que o Brasil caiu em 2006 diante da França de Zidane todos diziam: "A seleção está uma bagunça". "Falta liderança". "O Parreira não teve controle sobre as estrelas". "A seleção precisa de alguém de pulso firme".

Todos pediram e isso aconteceu. Dunga chegou, sem experiência, e impôs o seu ritmo de trabalho. Acabou com o 'estrelismo' e conseguiu criar um clima operário, sob a filosofia: 'um por todos e todos pela seleção'. Em 2006, na Alemanha, o Brasil tinha grandes jogadores, mas não tinha um time. Este ano, o Brasil pode não ter no elenco os melhores jogadores, mas, com certeza, tem um time e, mais do que isso, uma filosofia de trabalho. Adriano é um exemplo clássico do que estou dizendo. Ele até fazia parte dos planos do técnico, mas teve atitudes contrárias a filosofia de trabalho. Resultado: Ficou fora da Copa.

Dunga é um líder, é um vencedor, sempre foi, desde a época de capitão da seleção brasileira. Dá pra perceber que ele tem o respeito do grupo de jogadores que viajou pra África e que cada um que está lá jogará por si, pela pátria e também por ele. Ele conseguiu este respeito, o que entre 'boleiros', não é fácil.

Para finalizar, acho que o Brasil fará um grande mundial. Podemos até não levar o hexa, já que muitas outras grandes seleções também são favoritas e estão com grandes equipes, mas diferente de 2006, sairemos com a cabeça erguida.

Aos domigos e quintas escreverei sobre futebol!

sábado, 5 de junho de 2010

Comunicação e MKT a serviço das instituições



Hoje vou falar de duas coisas que eu gosto muito: Corinthians e Comunicação. O que uma coisa tem a ver com a outra? Basta voltar ao ano de 2007, ano em que o Corinthians se via mergulhado em uma crise sem tamanho. Dentro de campo, um time ridículo. Fora dele, o clube devia explicações ao Ministério Público por conta de uma sinistra parceria com um fundo internacional que suspeitava-se estar fazendo lavagem de dinheiro dentro do clube de Parque São Jorge. O resultado todo mundo já conhece, time na segunda divisão, uma imagem arranhada e dívidas astronômicas.
Eu não sou do tipo que acredita que para se dar um passo pra frente, primeiro é necessário dar dois para trás, mas no caso do Corinthians parece que isso funcionou.
Já em 2008, na segunda divisão, o time começou a se organizar e a lançar moda! Lançou no mercado a camiseta inspirada no grito da torcida, com o dizer ‘Eu nunca vou te abandonar’, em seguida, a polêmica camisa roxa e assim foi indo. Gostando ou não, a moda pegou e o clube percebeu que de fato tinha em mãos um produto e um público ‘fiel’ e disposto a gastar. O vice-presidente de marketing do clube, Luis Paulo Rosenberg, muito bom por sinal, percebeu o nicho que tinha em mãos e passou a criar cada vez mais. De lá pra cá, ele apostou em camisetas, lojas franqueadas, programas de fidelização ao torcedor, filmes, revistas, celulares, cruzeiros marítimos, títulos de capitalização, participação na Stock Car e muito mais. As ideias não pararam e a receita também.
Ronaldo ‘Fenômeno’ veio pra somar ainda mais e trouxe com ele mais oportunidades de receita para o clube. Resutado? Além de um time vencedor, dívidas amenizadas, uma imagem completamente restaurada e uma receita que quase triplicou em dois anos, saltando de 42, 5 milhões em 2007 para 110 milhões em 2009.
Ta vendo? Pensar fora da caixa faz a diferença!